Bioeconomia e inovações tecnológicas são debatidas no Espaço Brasil na COP26

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No Brazil Climate Action Hub, espaço dedicado às iniciativas da sociedade brasileira na COP26, o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Mauro O’de Almeida  participou do painel “Por que metas baseadas na ciência são importantes?”, ao lado de Lucia Rodrigues (Microsoft) e de Andrea Alvares (Natura).

O painel buscou debater suas experiências na implementação de metas nos setores de mudanças no uso da terra, industrial e de energia & transportes. Foram abordados os desafios e oportunidades associados aos diferentes níveis de maturidade e conjunturas, de modo que se compreenda a importância de somar esforços à campanha Race To Zero (RTZ) e às demais alianças que buscam o net-zero global até no máximo 2050.Participação do secretário Mauro O’de Almeida no painel “Por que metas baseadas na ciência são importantes?”Foto: Agência Pará

A representante da Microsoft afirmou que a empresa já é carbono neutra e que a nova meta é buscar ser carbono negativo. “Para, 2030 a gente vai começar a ser carbono negativo e para 2050 queremos eliminar toda a nossa pegada de carbono histórica desde 1975. Algumas das estratégias que estamos adotando é a taxação interna de carbono. Temos uma taxa de 15 dólares por tonelada de carbono emitida. Uma solução que eu queria trazer aqui, é como a gente entende a nossa tecnologia a serviço da sociedade, das organizações de terceiro setor, de outras empresas e de governos para ajudá-los em sua jornada de sustentabilidade”, ponderou Lucia Rodrigues. 

O grupo Natura &Co — com Avon, The Body Shop e Aesop — assumiu o compromisso de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2030. E essa é apenas uma das metas ESG anunciadas pelo grupo em 2020. “Como grupo, a gente assumiu o compromisso de nos tornamos carbono neutro para proteger a Amazônia, buscar ações coletivas que impeçam o desmatamento até 2025, implementar programas de circularidade e regeneração, proteger os direitos humanos e agenda social. O mundo precisa descarbonizar ainda mais do que a gente já fez até aqui, a COP acelerou essa compreensão”, reforçou Andrea Alves.Lucia Rodrigues, da Microsoft, e Andrea Alvares, da empresa Natura, também participaram do painelFoto: Agência Pará

O secretário da Semas teve a oportunidade de mostrar sobre a bioeconomia que tem trabalhado. “No Pará, a maior emissão de gás estufa é por mudanças no uso da terra, em desmatamento ou pecuária, nós temos que tratar isso com o zoom que ele merece. E não com a forma como a Europa, por exemplo, avalia as suas emissões de gases de efeito estufa. Para reduzirmos nossa emissão de carbono, temos que primeiro reduzir o desmatamento e ter uma estratégia de mudança ou eficiência naquilo que está sendo praticado no Pará e na Amazônia em termos de agricultura, pecuária e manejo florestal, baseado naquilo que a gente já tem de atividade econômica”, pontuou Almeida. 

Pesquisa, desenvolvimento e inovação; patrimônio genético e conhecimento tradicional associado; e cadeias produtivas e negócios sustentáveis, são os eixos da estratégia de bioeconomia do estado do Pará. “Há uma coisa que é interessante para nós e o pessoal da Natura pode testemunhar. Se fala muito em óleos essenciais. Óleos essenciais para nós sempre foram os óleos mais comuns para a gente utilizar na medicina caseira, a andiroba, a copaíba, esses dois exemplos eram feitos em casa. Muitas vezes, as nossas vós ou bisavós produziam isso para que a gente curasse a garganta, curasse um machucado. Portanto, ciência para nós não é a ciência das tecnologias avançadas, mas é uma ciência do cuidado. Por isso também podemos chamar a bioeconomia de economia do cuidado, e puxando já o gancho de um aprendizado que todos nós já temos”, reforçou o titular da Semas.

O secretário de Meio Ambiente do Pará ainda desafiou as empresas de tecnologia a desenvolverem um inventário florestal. “Em nível de tecnologia que nós temos hoje, precisamos fazer um inventário florestal a partir de sistemas de satélite, fazendo com Inteligência Artificial e algoritmo, um levantamento do tamanho da idade e da quantidade de árvores que nós temos na Amazônia. Que as empresas possam se juntar nesse esforço de tecnologia”, disse.Por Bruna Brabo (SEMAS)

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