Índia bate recorde de casos de Covid pela 13ª vez em 15 dias

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Índia registrou 273.810 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, o 13º recorde diário nos últimos 15 dias, apontam dados divulgados pelo ministério da Saúde do país nesta segunda-feira (19) e do projeto “Our World in Data”, ligado à Universidade de Oxford.

Em meio à forte segunda onda no país, a capital Nova Délhi ficará sob bloqueio total por mais sete dias, anunciou o ministro-chefe da cidade, Arvind Kejriwal. “Se não impormos um confinamento agora teremos um desastre maior. A partir desta noite teremos um confinamento até a próxima segunda”.

Após um lockdown no fim de semana, o comércio seguirá fechado e os deslocamentos serão autorizados apenas para os serviços considerados essenciais. Restrições similares já foram adotadas em outras regiões do país, como o estado de Maharashtra, onde fica a capital financeira Mumbai.

Segundo o ministro-chefe da capital indiana, “o sistema de saúde de Nova Délhi está à beira do colapso” e a situação “é bastante crítica”, com falta de leitos, de oxigênio e de remédios.

“O confinamento não vai acabar com a pandemia, mas vai desacelerar. Vamos aproveitar o confinamento de uma semana para melhorar a situação dos hospitais, que estão sob forte pressão e perto do limite”, afirmou Kejriwal.

Gato caminha em mercado deserto durante lockdown de fim de semana em Nova Delhi, capital Índia, no sábado (17 de abril de 2021) devido à escalada de novos casos de Covid-19 em meio à pandemia do novo coronavírus — Foto: Altaf Qadri/AP

Gato caminha em mercado deserto durante lockdown de fim de semana em Nova Delhi, capital Índia, no sábado (17 de abril de 2021) devido à escalada de novos casos de Covid-19 em meio à pandemia do novo coronavírus — Foto: Altaf Qadri/AP

O segundo país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes, também registrou mais 1.619 mortes em um dia, o segundo pior número da pandemia (atrás apenas dos 2.003 óbitos registrados em 16 de junho) e chegou a 178.769 vítimas desde o início da pandemia.

A Índia é o quarto país com maior número de mortes, atrás de Estados Unidos(567 mil), Brasil (373 mil) e México (212 mil).

No estado de Gujarat, onde nasceu o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, os crematórios estão recebendo muitos mais corpos que os relatados nos balanços locais de mortos por Covid-19.

“Dois de nossos fornos não estão operacionais porque suas estruturas estão derretendo e os queimadores de gás estão ficando congestionados, porque os fornos estão sendo utilizados o tempo todo”, disse Prashant Kabrawala, diretor do crematório de Surat, a principal cidade de Gujarat.

1,5 milhão de casos em 7 dias

Com o novo recorde de infectados, a Índia passou dos 15 milhões de casos confirmados e está atrás apenas dos EUA (31,6 milhões), que detém a maior marca de casos registrados em 24 horas: mais de 300 mil no dia 2 de janeiro.

Foram mais de 1,5 milhão de novos casos nos últimos sete dias e quase 2,5 milhões em duas semanas. No final de janeiro e começo de fevereiro, o país estava registrando menos de 10 mil infectados e cerca de 100 mortes por dia.

O governo indiano culpa o desrespeito ao distanciamento social e o não uso de máscaras como causas para o surto. Médicos e especialistas apontam também como motivos a complacência do governo, que se recusa a adotar um lockdown nacional, e novas variantes do coronavírus.

Em meio à escalada de casos na Índia, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, cancelou uma viagem que faria ao país no fim do mês.

“O país baixou a guarda muito cedo. As pessoas voltaram a se comportar como antes da pandemia e ninguém advertiu”, afirma o virologista T. Jacob John. “A segunda onda está se propagando muito mais rápido que a primeira”.

Vacinação contra Covid

O recorde de casos ocorre em meio à aceleração da vacinação contra a Covid-19 no país. A Índia é o maior produtor mundial de vacinas e iniciou em janeiro sua campanha de imunização, que demorou a engrenar.

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