Discurso de Lula coloca Bolsonaro na defensiva e leva família do presidente a passar recibo

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discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontando a política do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia de coronavírus teve efeito imediato: o governo foi para defensiva.

Segundo aliados próximos de Bolsonaro, a volta de Lula ao jogo eleitoral e o forte discurso do petista nesta quarta-feira (10) causaram grande impacto no presidente e em familiares.

Toda a expectativa de Bolsonaro era polarizar a disputa com o PT. Mas a aposta era no ex-ministro Fernando Haddad. “Lula foi para o ataque e deixou a família atordoada”, explicou ao Blog um aliado próximo do presidente.

Um sinal claro de que a família presidencial passou recibo foi a mensagem do senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais — replicada pelo ministro Fábio Faria (Comunicações) e por aliados bolsonaristas — logo depois do discurso de Lula.

O filho do presidente pediu aos seguidores que compartilhassem uma foto de Bolsonaro com a inscrição “Nossa arma é a vacina”.

O gesto foi visto como uma decisão política de polarizar o debate com Lula, que criticou no discurso a prioridade de Bolsonaro à liberação da compra de armas.

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VÍDEO: ‘Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina’, diz Lula.

Outro gesto evidente foi do próprio Bolsonaro que, pouco depois do discurso de Lula, apareceu de máscara em solenidade no Palácio do Planalto — o que não é habitual — para sancionar a lei que facilita a compra de vacinas contra a Covid-19.

O discurso de Bolsonaro na cerimônia no Planalto foi quase uma justificativa para as críticas de Lula.

O presidente tentou demostrar que empreendeu esforços para a compra de vacinas, sem explicar por que não fechou contrato ano passado com Pfizer para aquisição de 70 milhões de doses de vacina. Disse que a mãe já se vacinou, mas não explicou a resistência dele próprio em se vacinar.

Diante da cobrança pública de Lula, Bolsonaro foi obrigado a admitir mais uma vez a defesa de uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da Covid, como a hidroxicloroquina.

Ao defender o que chama de atendimento precoce, o presidente emendou e defendeu que médicos adotem o tratamento com remédios e disse que praticamente todos os servidores do Planalto que pegaram coronavírus usaram esses medicamentos sem precisar de internação hospitalar.

Mas não citou que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, internado com o quadro clínico agravado quando contraiu Covid.

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